quinta-feira, junho 15, 2006

Medo, Pavor, Apreensão...Surf


Petroleiro; em algum lugar do oceano

Quem já esteve no mar em alguma ocasião, e se deparou com ondas de um certo porte, sem dúvida sentiu algo um pouco assustador.
No meu caso surfista, me lembro bem das primeiras vezes que enfrentei ondas com mais de 2 metros, para quem não conhece deve pensar; 2 metros coisa pequena, é coisa pequena quando se esta lá na areia tomando um chimarrão, vai lá dentro pra ti ver. Aquela sensação que ultrapassa o medo, que chega ao pavor. Quando você pensa '' o que que eu estou fazendo aqui'', aquele medo de dropar a onda e saber que você vai ter que encarar uma para poder sair do mar.
Devia ter uns 15 anos a primeira vez que entrei em uma mar de uns 2 metros, e mesmo hoje mais de 9 anos depois ainda sinto aquela ponta de medo ao encarar um mar desses. Mesmo com muito mais experiência e força física, nunca é fácil , principalmente para quem surfa no Rio Grande do Sul e ainda mais no inverno. Este nosso mar mexido com corrente, que faz com que você entre no mar em uma praia e saia em outra, se não pegar uma rede no meio do caminho, um vento que corta o rosto, uma água que dói de tão gelada. Realmente não é fácil, porque não fico em casa olhando tv, por quê?
Os maiores mares que já peguei, um em 2004 atrás do T da plataforma de Tramandai, no inverno entrei solíto e lá dentro encontrei 2 caras que conseguiram varar o outside, logo que cheguei os dois me olharam e percebi uma certa apreensão no ar, veio uma direita dropei e sai fora da onda por cima do lip antes dela fechar, remei rápido de volta pro pico, nisto entrou uma série mais para a minha esquerda onde os dois estavam posicionados, passei por cima da série e quando sentei na prancha percebi que os dois haviam surfado aquela série e que não retornaram para o outside, fiquei lá sozinho, sentado pensando o porque eu fui me enfia ali, porque não fiquei ali nos cocos, devem ter se passados uns 20 minutos e varias séries de muito apreensão, estava totalmente ligado percebia cada movimento da água naquele mar mexido, nada passava despercebido a concentração gerada pelo medo era absurda, sentia uma insegurança que nunca havia sentido, estava literalmente só no meio do mar com uns 3 metros de ondas entre eu e a praia. Pensei em esperar passar uma série e sair remando, mas seria muito perigoso se entrasse uma série me pagaria em cheio. Então entrou uma onda certinha em mim, era muito grande como todos as outras que passavam por mim, mesmo com todo o medo tive que encarar pois sabia que deveria sair logo dali se o mar subisse mais ainda ou alguma coisa acontecesse não haveria ninguém para dar uma mão, me joguei, a onda era imensa, já dropei inclinado para a direita, desci até a base e acelerei ao máximo, enquanto aquele turbilhão vinha quebrando atrás de mim, corri toda a longa parede, e quando sai da onda já estava próximo uns 15 metros da próxima rebentação onde uns 4 caras me olhavam, que alívio.
Outra vez que encarei um mar grande como este foi neste carnaval, em Imbé, segunda feira de manha, havia trabalhado sábado e domingo em Novo Hamburgo, cidade onde moro atualmente, acordei na segunda de carnaval, cedinho as 7:30 já estava na beira da praia, numa pilha imensa, tirei a prancha da capa e me toquei, olhei em volta e não tinha ninguém no mar aquelas horas (também segunda de carnaval), remei forte e passei pela primeira rebentação voando e logo estava no outside, veio uma esquerda dropei fiz a conexão na próxima rebentação e saí quase na beira da praia, resolvi sair do mar e ligar pro Rodrigo (Babu), 8 horas em ponto, acordei o cara, a conversa foi curta. Logo ele e o Maninho chegavam, caminhamos até a Barrinha e entramos o rio estava botando pra ''dentro'' o que facilitava o caminho até o outside, embora te deixasse um pouco desorientado sobre onde estava em relação ao mar, Passamos a primeira rebentação e passei voando pelo Maninho ao pegar uma corrente mais forte o Rodrigo ficará um pouco mais atrás. A corrente do rio havia sumido naquela altura e a remada era cuidadosa, quando o mar deu uma alisada aproveitei e forcei a remada para tentar entrar liso no outside, é não deu. Bem quando estava numa zona meio perigosa começou a levantar uma onda imensa, remei forte ao máximo, e quando percebi que não ia dar para passar, me sentei na prancha, dei uma breve olhada para trás e vi o Maninho parado deitado sobre a prancha uns 10 metros atrás de mim, não vi o Rodrigo. Analisei a situação e vi que não era nada boa para nós, nem tentei dar o joelinho, quando a espuma chegou perto de mim, apenas abandonei a prancha na superfície e mergulhei o mais fundo que consegui. Quando voltei a tona era tudo espuma em minha volta, subi na prancha e vi que não vinha outra onda, com a segurança que os amigos te passam quando estão por perto nem pensei duas vezes remei pro outside, me sentei um pouco cansado e logo o Rodrigo apareceu falando;
- O que era aquilo!!! ( se referindo a onda)
Perguntei pelo Maninho, ele disse que não tinha visto ele, demos uma boa olhada em busca dele e não vimos nada, nem a prancha para nosso alívio, aquela onda deveria ter arrastado ele e não conseguiu passar a rebentação antes da próxima série e deveria ter recuado uma rebentação. Ficamos ali eu e o Rodrigo, eu com uma 6’0, era a única que tinha a disposição naquela manhã, e que simplesmente tornava o surfe impraticável em ondas daquela altura, com tranqüilidade elas chagavam aos três metros e gordas, ficamos uma meia hora sem conseguir pegar nada, pois a prancha do Rodrigo era uma 6’2 e simplesmente não conseguíamos entrar nas ondas, então nos posicionamos praticamente na zona de impacto, para não ter como as pranchas não entrarem nas ondas, cada um pegou um e saiamos a procura do Maninho que nos espera nos cocos são e salvo.
Mas o que isto tudo tem haver com esta foto ai em cima: Apenas quis relatar algum momento que passei de apreensão dentro do mar. Mas quando vi esta foto pela primeira vez a um ano atrás, não pude deixar de imaginar a aflição dos marinheiros abordo daquele petroleiro, aquele barco na foto é um petroleiro de 212 metros de comprimento, que enfrentou durante horas ondas de 30 metros, ele acabou afundando. Realmente quando nos lançamos ao mar estamos largando nossas vidas nas mãos de Deus.



Visão da cabine de comando antes de uma onda acertar o barco

6 comentários:

Lucas disse...

realmente...me senti como se estivesse la ;]

Diego p cesar disse...

parabens mano...gostei muito dessa historia sua e como eu surfo tambem imaginei como se fosse eu, porque eu ja passei uma situação parecida cm essa , mas nao estava tao grande assim não, estava 1,5 metros na praia do tombo aqui no guaruja.. eu fui dar o joelinho mas nao sei oque aconteceu
a onda me levo e eu tomei um caldo assstador...vlws ai irmao

Fabio disse...

O que importa é sair firme e forte.

Abracos.

marcio sjc disse...

brother...bem massa tua história...esse lance de joelinho da errado ae é sério mesmo...naum sei o q q é naum, mas tmbm ganhei um medo nessas horas de da joelinho qnd a onda é grande e ja ta pa quebra...me dei muito mal tentando fura uma onda um pouco mais de metros em ubatuba [o lip ja tava despencando] ...browww rodei muito e fui muito po fundo...vi a viola em caco nesse dia...sai do mar logo depois e fikei pensando muito nakilo...q q eu fiz de errado?...será q demorei pa acerta o inclinação da prancha ou sei lá o q? abraços.....

Fabio disse...

Olá Marcio, valeu pelo comentário.

Bah, difícil dizer o que pode dar certo ou errado nessas horas.

Só com a experiência a gente aprende.

Melhor do que pegar uma boa onda e sair rindo é tomar um caldo enorme e sair respirando. kkkkkkkkkkkk

Abracos e Boas ondas.

Lucas disse...

MANO ACONTECEU IGUALZINHO SÓ Q TINHA UMA CARA DE SURFISTA MAS EU TINHA 14 ANOS ÉRA INESPERIENTE AI JA VIU NÉ .......